Febre de vídeos na internet invade TV
Formado em Rádio e tv no Brasil, Daniel encontrou seu espaço depois de ter feito mestrado no Reino Unido. Seu documentário "A Brazilian Immigrant "- "que trata da maneira com que os brasileiros são vistos e recebidos por oficiais de imigração ingleses", segundo ele mesmo - chegou a participar de festivais de curtas na Europa. Com a notoriedade, Daniel foi convidado a produzir os primeiros vídeos para a filial inglesa da emissora americana Current tv.
A proposta da Current é ter um terço da programação feita por usuários. As pessoas enviam vídeos para o site (www.current.tv) e os mais votados vão ao ar, na tv. Os selecionados ainda recebem uma bolada de US$ 500. "O objetivo é democratizar a televisão ao dar o poder de criação aos jovens adultos entre 18 e 34 anos", diz a assessoria da emissora.
Para Daniel, o modelo é libertador e democrático. "A produção gerada pelo usuário não veio pra substituir a o trabalho profissional. Veio para acrescentar. Traz novas perspectivas, novas abordagens e novas estéticas", afirma.
É na mesma idéia que o novo canal brasileiro Fiz tv embarcou. Criado pelo Grupo Abril, a previsão é de que o Fiz tv estrearia hoje na operadora a cabo TVA. A proposta é parecida. Basta enviar o vídeo (www.fiztv.com.br) e torcer por uma boa votação para ir ao ar. A diferença é que o canal é feito só com filmes dos usuários.
André Mantovani, diretor-geral da unidade de tv da Abril e idealizador do Fiz tv, afirma não haver risco de a oferta de vídeos cair com o tempo. "A idéia é fomentar a produção. Tem muita coisa boa sendo feita nas universidades, muita gente fazendo trabalho de videorrepórter e várias indústrias marginais acontecendo", diz.
Também há críticas sobre até que ponto uma produção amadora pode ser considerada um programa de tv. Apesar de não discordar da abertura para o usuário, o professor e coordenador do curso de Rádio e tv da Faap, Vagner Matrone, acredita que os vídeos caseiros de sites como o YouTube não têm nada de produção televisiva. "Programas de tv são produtos feitos por profissionais para entreter e informar, baseados em pesquisas e com a preocupação com a audiência", diz.
De qualquer maneira, João Henrique Crema, de 23 anos, um estudante de Audiovisual que já enviou vídeos para o Fiz tv, está empolgado com o novo meio de divulgação. "A internet já tinha aberto as portas para nós, mas o público de tv ainda é mais variado", diz.
PAGAMENTO É INCENTIVO PARA ENVIAR VÍDEOS
A Current e o FizTV não levaram só o fenômeno dos vídeos na internet para a televisão. Sites como o YouTube já pagam uma parte da receita de publicidade aos usuários que mais produzem filmes e que têm mais audiência. Apesar de não dar destaque à remuneração, os novos canais de tv também usam da estratégia para incentivar o envio de vídeos. Na FizTV, se um filme for ao ar, o criador ganha R$50 e, se a pontuação dele continuar alta no site, pode levar até R$ 500.
A idéia de pagar os internautas começou e se espalhou em outros sites americanos de vídeos, como Revver, LiveVideo, Metacafe, Guba e Spymac. Nem todo mundo é pago, só quem tem uma audiência alta e constante. E isso ameaçou a liderança do YouTube, já que usuários top migraram para os outros sites.
Remunerar ou dar prêmios aos internautas sempre foi uma forma para fazer um site ou um serviço online crescer, mas às vezes soam um tanto picaretas. Iniciativas, como o Daytipper, Epinions e Yelp dão vantagens para os usuários escreverem opiniões sobre produtos e dicas bacanas. Outros sites prometem pagar para quem navegar na internet, mas a conexão é discada e o gasto com telefone só compensa em casos extremos.




