Realidade virtual induz 'Experiência Extracorpórea'
Experiências feitas na Inglaterra e na Suíça induzem voluntários a projetarem-se em 'corpos virtuais', pensando que se trata do seu próprio corpo.
A idéia pré-consebida de que a localização do nosso corpo "mental" coincide com a localização real do corpo é tão ividente que só lhe damos atenção quando parece deixar de ser verdade.
Isso ocorre na chamada experiência extracorpórea, a sensação de que a consciência está, de alguma forma, deslocada em relação ao corpo.
Geralmente estas experiências estão associadas
a distúrbios mentais, uso de drogas ou experiências místicas.
Segundo a revista science desta semana, O fenômeno foi recriado, com pessoas saudáveis, nos laboratórios ingleses e suíços.
Os dois trabalhos foram distintos, mas com uma base fundamental comum.
As duas experiências, usaram óculos de realidade virtual ligados a câmeras que apontavam para as costas dos voluntários,
fazendo com que cada pessoa tivesse uma visão de si mesma alguns metros à frente da sua posição real.
Combinando isto com uma série de estímulos físicos, os pesquisadores conseguiram fazer com que os participantes se sentissem fora dos seus corpos.
As experiências sugerem que a sensação corriqueira de estar "a bordo" do próprio corpo é produzida pela integração, no cérebro, da informação que vem dos sentidos, e ao produzir-se perturbações nessa informaçãopodem dar origem à sensação de estar fora do corpo.
Além de ajudar na compreensão de distúrbios mentais e fornecer pistas para o aperfeiçoamento das interfaces atuais de realidade virtual,
A idéia pré-consebida de que a localização do nosso corpo "mental" coincide com a localização real do corpo é tão ividente que só lhe damos atenção quando parece deixar de ser verdade.
Isso ocorre na chamada experiência extracorpórea, a sensação de que a consciência está, de alguma forma, deslocada em relação ao corpo.
Geralmente estas experiências estão associadas
a distúrbios mentais, uso de drogas ou experiências místicas.
Segundo a revista science desta semana, O fenômeno foi recriado, com pessoas saudáveis, nos laboratórios ingleses e suíços.
Os dois trabalhos foram distintos, mas com uma base fundamental comum.
As duas experiências, usaram óculos de realidade virtual ligados a câmeras que apontavam para as costas dos voluntários,
fazendo com que cada pessoa tivesse uma visão de si mesma alguns metros à frente da sua posição real.
Combinando isto com uma série de estímulos físicos, os pesquisadores conseguiram fazer com que os participantes se sentissem fora dos seus corpos.
As experiências sugerem que a sensação corriqueira de estar "a bordo" do próprio corpo é produzida pela integração, no cérebro, da informação que vem dos sentidos, e ao produzir-se perturbações nessa informaçãopodem dar origem à sensação de estar fora do corpo.
Além de ajudar na compreensão de distúrbios mentais e fornecer pistas para o aperfeiçoamento das interfaces atuais de realidade virtual,
a operação remota de máquinas ou a realização de cirurgias à distância.
os estudos também podem ter implicações filosóficas. Isso fica indicado logo
no título de um dos artigos da revista
Science.
"Video Ergo Sum" (Vejo, Logo Existo), que é um trocadilho com a famosa frase do filósofo francês René Descartes, "Cogito, Ergo Sum" (Penso, Logo Existo).
papel preponderante. Nesse caso, como os cegos obtêm uma representação mental
de si mesmos? "Além da visão, outros sentidos estão envolvidos", diz Blanke. "Suponho que um fenômeno semelhante ao descrito em nosso estudo poderia ser
Marteladas virtuais
No estudo suíço, os voluntários assistiram, em seus visores de realidade virtual, à projeção de uma imagem digitalizada 3D de suas próprias costas, das
costas de um manequim ou de um objeto sem a forma do corpo humano. Enquanto a projeção era feita, as costas do voluntário - e do manequim, ou da parte
de trás do objeto - eram tocadas de leve pela ponta de uma caneta.
Os toques às vezes eram sincronizados, ocorrendo ao mesmo tempo no voluntário e na imagem projetada no visor, às vezes não.
Imediatamente após a sessão de realidade virtual, os voluntários eram vendados, conduzidos alguns passos para trás instruídos a retornar ao ponto de partida.
Se o toque nas costas tivesse sido sincronizado ao toque na imagem, e a imagem tivesse sido a do próprio corpo ou do manequim, os voluntários tendiam a
se dirigir à posição virtual da imagem, dois metros adiante do local onde tinham estado realmente.
O outro trabalho sobre experiências extracorpóreas publicado na
Science
foi realizado por Henrik Ehrsson. Ele realizou a pesquisa enquanto estava no University College London, mas atualmente trabalha no Instituto Karolinska
de Estocolmo, na Suécia.
No arranjo de Ehrsson, voluntários ficaram sentados numa cadeira, usando um visor de realidade virtual que projetava imagens de duas câmeras colocadas às
suas costas. A integração das imagens gerava o efeito de três dimensões.
O pesquisador, então, usava um bastão plástico para tocar o peito dos voluntários e um ponto no ar logo abaixo das câmeras, de modo que a imagem de seu
braço movendo o bastão aparecesse no visor.
Depois do experimento, os voluntários responderam a um questionário, onde confirmaram a sensação de terem sido deslocados de seus corpos reais, indentificando-se com o ponto de vista das câmeras.
Numa variação da experiência, Ehrsson conectou sensores aos voluntários para medir a transpiração, um indicador de excitação emocional, e balançou um
martelo dentro do campo de visão das câmeras, criando a ilusão de que o "peito" do ponto de vista seria golpeado. Os voluntários tinham sido previamente
informados de que seus corpos reais não seriam feridos de modo algum.
A despeito da advertência, os sensores captaram um aumento na transpiração, interpretado como um aumento no grau de ansiedade dos voluntários, sugerindo
uma identificação com o ponto de vista e não com o que estava a acontecer no seu corpo real.
os estudos também podem ter implicações filosóficas. Isso fica indicado logo
no título de um dos artigos da revista
Science.
"Video Ergo Sum" (Vejo, Logo Existo), que é um trocadilho com a famosa frase do filósofo francês René Descartes, "Cogito, Ergo Sum" (Penso, Logo Existo).
papel preponderante. Nesse caso, como os cegos obtêm uma representação mental
de si mesmos? "Além da visão, outros sentidos estão envolvidos", diz Blanke. "Suponho que um fenômeno semelhante ao descrito em nosso estudo poderia ser
Marteladas virtuais
No estudo suíço, os voluntários assistiram, em seus visores de realidade virtual, à projeção de uma imagem digitalizada 3D de suas próprias costas, das
costas de um manequim ou de um objeto sem a forma do corpo humano. Enquanto a projeção era feita, as costas do voluntário - e do manequim, ou da parte
de trás do objeto - eram tocadas de leve pela ponta de uma caneta.
Os toques às vezes eram sincronizados, ocorrendo ao mesmo tempo no voluntário e na imagem projetada no visor, às vezes não.
Imediatamente após a sessão de realidade virtual, os voluntários eram vendados, conduzidos alguns passos para trás instruídos a retornar ao ponto de partida.
Se o toque nas costas tivesse sido sincronizado ao toque na imagem, e a imagem tivesse sido a do próprio corpo ou do manequim, os voluntários tendiam a
se dirigir à posição virtual da imagem, dois metros adiante do local onde tinham estado realmente.
O outro trabalho sobre experiências extracorpóreas publicado na
Science
foi realizado por Henrik Ehrsson. Ele realizou a pesquisa enquanto estava no University College London, mas atualmente trabalha no Instituto Karolinska
de Estocolmo, na Suécia.
No arranjo de Ehrsson, voluntários ficaram sentados numa cadeira, usando um visor de realidade virtual que projetava imagens de duas câmeras colocadas às
suas costas. A integração das imagens gerava o efeito de três dimensões.
O pesquisador, então, usava um bastão plástico para tocar o peito dos voluntários e um ponto no ar logo abaixo das câmeras, de modo que a imagem de seu
braço movendo o bastão aparecesse no visor.
Depois do experimento, os voluntários responderam a um questionário, onde confirmaram a sensação de terem sido deslocados de seus corpos reais, indentificando-se com o ponto de vista das câmeras.
Numa variação da experiência, Ehrsson conectou sensores aos voluntários para medir a transpiração, um indicador de excitação emocional, e balançou um
martelo dentro do campo de visão das câmeras, criando a ilusão de que o "peito" do ponto de vista seria golpeado. Os voluntários tinham sido previamente
informados de que seus corpos reais não seriam feridos de modo algum.
A despeito da advertência, os sensores captaram um aumento na transpiração, interpretado como um aumento no grau de ansiedade dos voluntários, sugerindo
uma identificação com o ponto de vista e não com o que estava a acontecer no seu corpo real.
Publicado em 2007/08/26 na categoria Ciência
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