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Google APPs e Gooogle DOCs agitam indústria do software

A capacidade de inovação e liderança da empresa detentora do motor de busca mais utilizado do mundo está a alimentar enormes expectativas no mercado de
software. Os analistas afirmam que a Google é, por agora, o único rival da Microsoft, sobretudo em aplicações web

Google

Sedeada em Silicon Valley, Califórnia (EUA), a ambiciosa Google deu mais um salto significativo no mercado ao entrar recentemente no ranking NASDAQ-100
com uma capitalização de mercado na casa dos 74,2 mil milhões de dólares – a mais elevada das 12 estreantes, onde figuram igualmente a NVIDIA (5,7 mil
milhões) e a Red Hat (4,1 mil milhões).

Mais do que a oferta de aplicações empresariais, gratuita antagonista dos Web Services da Microsoft, a Google tem desenvolvido alguns serviços inovadores
direccionados a sectores específicos do mercado, recorrendo, nos casos mais brilhantes, à aquisição de empresas chave.


Golias vs Golias

A oferta do Google Docs e Spreadsheets, programa de utilização gratuita para criar, gerir e partilhar documentos e folhas de cálculo na Internet, tem feito
bastante furor junto dos gestores e dos especialistas da indústria, que compararam de imediato a oferta ao novo Office 2007.

Segundo a empresa de estudos de mercado Forrester, as empresas europeias e norte-americanas estão cada vez mais interessadas neste tipo de produtos, promotores
da inovação no posto de trabalho e capazes de responder mais eficazmente às necessidades do negócio.

“As empresas esperam que a Microsoft lidere a inovação nesta área, mas acreditam que só a Google tem capacidade para a desafiar. E porquê? Porque ao concentrar-se
nas expectativas do consumidor sobre os serviços online, a Google aumenta as suas hipóteses de influenciar os comportamentos das empresas de tecnologias
de informação”, explica Kyle McNabb, analista da Forrester que aplaude o regresso “da inovação à produtividade do escritório”.

Apesar do estigma e ameaça provocados pelo dinamismo da Google, Antoine Leblond e Kurt DelBene, responsáveis do grupo Office da Microsoft, recusam que
a grande estrela dos motores de busca lhes possa tirar quota de mercado. Isto por motivos meramente conceptuais e assentes nos últimos 15 anos de história
de software gratuito. Para estes gestores, o facto dos Web Services da Microsoft trabalharem em consonância com o software instalado é uma mais-valia e
o conceito tornou-se numa defesa de pedra e cal para a Microsoft, que distingue os seus Web Services do “software como um serviço” (similar à Salesforce.com
ou à Google) que, ainda por cima, “é gratuito. Mas o gratuito não tem permitido às pessoas fazerem o que elas necessitam”, sublinham.


Google inova meio

No entanto, a Google não se tem ficado pelas aplicações que mais estão a antagonizar a oferta da Microsoft, e que representam apenas 1% da sua facturação.
A Google está a ir mais longe e a surpreender o mercado com a criação de novos suportes de áudio e vídeo, dirigidos inicialmente aos seus anunciantes –
a publicidade representa 99% do seu volume de negócios.

Depois da aquisição de uma empresa de publicidade de rádio, dMarc Broadcasting, há cerca de um ano atrás, a Google reescreveu o código original da dMarc
para a sua própria tecnologia e lançou recentemente um teste de anúncios áudio, ainda em versão beta, que abrange 20 dos seus clientes, mais de 730 estações
de rádio, incluindo rádios XM Satelite, com uma cobertura de 260 mercados metropolitanos (87% do mercado norte-americano).

Recentemente a Google adquiriu a jovem YouTube por 1650 milhões de dólares, uma compra tida como uma das mais caras aquisições do monstro dos motores de
busca. Fundada em Fevereiro de 2005, composta por 65 colaboradores, a YouTube conquistou rapidamente elevada popularidade entre os cibernautas para o upload
e a partilha de vídeos online, conseguindo obter 101 milhões de visitas mensais (o Yahoo recebe 106,7 milhões de visitantes por mês). Depois da noticia
ter agitado consideravelmente o mercado, que se tem questionado sobre a real estratégia da Google, a empresa celebrou mais um acordo no mesmo domínio.
Mas desta vez, com o canal de televisão britânico BSkyB, com o intuito de fornecerem mutuamente serviços de busca, publicidade e novas funcionalidades
para um novo projecto de vídeo na Internet, que pode vir a complementar os desígnios da YouTube.

Oportunidades de negócio

A aquisição da YouTube pela Google veio gerar oportunidades de negócio para os criadores de conteúdos de entretenimento e media online. “Ambas pretendem
e vão providenciar serviços inovadores e muito atraentes para os nossos utilizadores”, afirma Eric Schmidt, chief executive officer (CEO) da Google. “Pretendemos
conferir uma nova dimensão a esta área e desenvolvê-la com grandes e pequenos produtores”, convidou o executivo, logo após anunciar a compra da empresa
mais conhecida do mundo para o upload e a partilha de vídeos.

No ar ficou a promessa de apresentar e disponibilizar um rol de novidades ao longo dos próximos meses, quer no domínio das funcionalidades, quer no de
programas, “que deverão contar com a criatividade e a participação” da própria comunidade do www.youtube.com”, declarou Chad Hurley, CEO e co-fundador
da YouTube. estratégia que serviu de base para o lançamento da empresa. Oito anos depois de iniciar actividade, a Google emprega agora cerca de 2500 profissionais
em todo o mundo. Em 2005 apresentou uma facturação na ordem dos 6 138 milhões de euros, mais de 8 mil milhões de páginas indexadas e cerca de 880 milhões
de imagens. A sua entrada para a bolsa de valores NASDAQ-100, que conta com cerca de 3200 empresas, deu agora um novo impulso ao entusiasmo em torno da
empresa, obrigando a que todos os produtores de software redobrem a atenção sobre os produtos, aplicações e movimentos daquela que está quase a ultrapassar
o Yahoo (segundo a empresa de estudos de mercado Nielsen).

Google www.google.pt
Youtube www.youtube.com
Google Docs & Spreadsheets http://docs.google.com

iP Jornal
Paulo Páscoa

 

Publicado em 2007/05/20 na categoria Internet


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