Universidade de Coimbra cria robô para deteção de minas

Uma equipa do instituto de sistemas e robótica da Universidade de Coimbra, apoiada pela fundaçao para a ciência e tecnologia FCT, criou um robô capaz de detectar minas antipessoal.

 

O ladero, que já foi testado com sucesso num campo militar na Bélgica, . Ocupa um espaço pequeno (um cubo com um metro de lado, sensivelmente), é autónomo na progressão no terreno, porque tem um sistema de navegação que lhe permite detectar obstáculos e irregularidades no solo, e finalmente, tal como revelou nos testes a que foi sujeito, consegue detectar todas as minas que estiverem enterradas num determinado local, incluindo as de plástico, que são grande parte das minas antipessoal em uso, e também as mais difíceis de apanhar.

A ideia de desenvolver um robô para desempenhar esta tarefa surgiu a Lino Marques no final dos anos 90, numa altura em que o problema das minas antipessoal, que vitimam sobretudo civis em países pobres, tinha uma presença forte na agenda mediática. Houve por essa altura a viagem da princesa Diana a Angola, para dar visibilidade à questão, e o prémio Nobel da Paz foi atribuído a uma campanha e à sua líder, Jody Williams, para banir estas minas e desminar os territórios onde elas persistem.

Porque a questão o interessava, o investigador decidiu ir a Toulouse, França, participar num workshop sobre a utilização de robôs em situações deste tipo. "Logo a seguir, fizemos um projecto com dois alunos para detectar a variação térmica numa superfície utilizando radiação infravermelha", conta o professor e investigador de Coimbra. Na prática tratou-se de usar microondas para aquecer o solo, onde havia objectos de plásticos, que eram depois assinalados por sensores de infravermelhos. "Depois decidimos avançar para o robô. Submetemos um projecto à FCT, em 1999, para construir a plataforma [que viria a ser o corpo do robô], investigar vários métodos possíveis de detecção de minas e conceber um sistema de navegação para dar autonomia à máquina".

Em 2002, "a plataforma já se mexia", lembra Lino Marques. Para a detecção de minas, a equipa explorou várias vias: a detecção de metais, de calor, via infravermelhos, e detecção química.

Hoje o Ladero tem detectores de metais e de calor. A química ficou pelo caminho neste projecto - "não há exactamente um químico que se tire da prateleira pronto a usar", diz o investigador -, mas o trabalho feito acabou por dar origem a uma linha de investigação hoje importante no ISR de Coimbra, para o desenvolvimento de robôs que cheiram.

Neste momento, o Ladero está terminado e pronto a entrar em acção. Há três semanas, uma comitiva ligada ao governo angolano visitou o laboratório e ficou impressionada com ele. Mas para já não há nenhuma proposta de aplicação prática ou de transferência das potencialidades do robô para o mercado.
"mas se houver estamos preparados para isso" disse Lino Marques.
 
Publicado em 2008/06/09 na categoria Segurança


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